Como postagem inicial, acho que vale explicar um pouco sobre o poliglotismo e refletir um pouco sobre sua importância:
"Poliglotismo é a capacidade de utilizar quatro ou mais línguas, incluindo aí a língua materna, de maneira eficaz em relação aos objetivos da comunicação do indivíduo. É preciso levar em consideração: 1. As habilidades lingüísticas (leitura, escuta, escrita, fala). 2. O nível de proficiência de cada uma dessas habilidades. 3. O contexto de uso da língua. 4. As necessidades e objetivos da comunicação." (Fonte: Encontro Poliglota)
A partir dessa definição, podem surgir algumas dúvidas do tipo "Por quê a língua materna se inclui, quando se contam o número de idiomas que um indivíduo conhece?". Ora, pois é o idioma principal em que uma pessoa se comunica, pensa, sonha, planeja... e a base na qual irá aprender todos os outros. Com a exceção de alguns casos de crianças de países bilíngues - como o Canadá, onde podem aprender o inglês e o francês simultaneamente - as pessoas no geral se valem de um idioma base que usam para comparar e analisar os outros que aprende. Embora muitos professores considerem esse processo como "errado" e incentivem o pensamento natural na nova língua (e não a tradução simultânea de todos os termos para a língua materna), sabemos que em muitas situações, é assim que acontece. Principalmente no começo, onde é muito mais prático se comparar os idiomas, do que se exigir de um professor mímicas ou imagens até que o aluno apreenda um significado ou conceito.
Outra observação que se pode fazer é que, se devemos levar em consideração a proficiência nas habilidades linguísticas da leitura, fala, escrita e escuta, não seria ideal primeiro ter o domínio sobre o idioma materno, para depois aprender os outros? Ao menos eu creio que sim.
Por exemplo, ao aprender japonês e espanhol em cursos regulares (leia-se presenciais), tive que rever conceitos como sujeito e predicado, orações subordinadas, tempos verbais... conceitos esses que são abstratos e foram criados com o simples propósito de formalizar as regras de uma língua (o que chamamos de "Gramática"). Sem entender a gramática de nossa língua materna, tais conceitos se tornam muito subjetivos para aplicação em outros contextos, tomando mais tempo de estudo ou total incompreensão desses aspectos.
A gramática nada mais é que a formalização, a oficialização de regras de fala e escrita que foram criadas ao longo das gerações, pelo uso e desuso de determinadas estruturas idiomáticas. Não é, portanto, estática nem universal, dado que os idiomas estão em constante transformação. Essas regras podem ainda ser mudadas de acordo com instituições que tenham por fim o cultivo da língua e literatura de um país (assim como a Academia Brasileira de Letras). As mudanças feitas geralmente tem o intuito de facilitar a comunicação, excluindo estruturas que mais complicam do que auxiliam o aprendizado de um idioma. Gramática não é, apesar do que muitas escolas de idiomas pensam, o essencial de um idioma. A gramática surgiu do idioma puro, falado pelo povo, e tem o propósito didático de facilitar seu ensino. Deve ser utilizada apenas com esse propósito: a facilitação do ensino do idioma. Nada de decorar imensos livros, isso não torna ninguém proficiente. Lembre-se que a escrita corresponde a apenas um quarto das habilidades necessárias para a comunicação num idioma. As outras três se referem a aspectos mais práticos: a fala e a escuta, que implicam em vivência na língua e por si só já a ensinam, mesmo que não se aprendam as regras formalmente (é o processo pelo qual aprendemos quando somos crianças e não temos ainda o nível de abstração necessário para entender os conceitos de regras gramaticais) e a leitura, que é a capacidade de entender a representação gráfica do que é falado (sendo que muitas pessoas conseguem entender um texto mesmo sem compreender todas as palavras nele escritos).
Como nosso idioma materno nós já falamos, escutamos e... espero eu, lemos bem, fica faltando um aprofundamento nas regras de escrita.
Já tá por dentro da Reforma Ortográfica? Ainda não? Que vergonha... entra nesse site aqui e baixa uma apostila pra aprender um pouco mais:
Guia Prático da Nova Ortografia (Reforma Ortográfica) - Michaelis
E pros idiomas novos?
Esses sim, você deve começar mais pela parte prática, do que pela gramática. É, é o oposto do que muito professor ensina por aí. Mas quer saber, quando você estiver solto no mundo por aí, ninguém vai te perguntar sobre verbos e adjetivos. A não ser que você queira ser proficiente nos 4 domínios da língua - ou seja, escrever bem também - aí você busca um pouco mais de gramática para se expressar melhor. Sobretudo se pretende trabalhar no exterior.
Foi para isso que criei esse blog aqui, com algumas dicas, links, apostilas e outras mídias que podem ajudar a entender outros idiomas.
E nada de sair falando que é poliglota, só porque sabe falar "bom dia" em mais de quatro idiomas. Tem que estudar muuuuuuuuuuuito! E falar, e escutar, principalmente.
Bem, Boa Sorte a todos nós!
O que é poliglotismo, afinal?
Postado por
Alê Valim
quarta-feira, 16 de setembro de 2009


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